quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Comer alimentos biológicos, locais e da época sempre que possível (dia 21)

A Monia fez ontem um post "Biológico vs ecológico" onde chegou à conclusão que "comprar produtos biológicos não é nada ecológico...Porque os produtos bio vêm todos da Alemanha, França, Holanda, Espanha!". Contestei essa conclusão com largos argumentos, mas confessei logo que era uma questão polémica, para mim ainda em aberto. Como a Monia acabou por confessar, conhece pouco o mercado dos biológicos, o que parece ser o meu caso pois fiquei surpreendido com a pesquisa que entretanto fiz, a propósito de lhe propor a ideia dos cabazes de produtos biológicos.
Encontrei uma lista muito grande de firmas que distribuem produtos biológicos ao domicílio no site da Agrobio (a associação que rege o sector) e  centro vegetariano, onde contei 22 dessas firmas, 69 lojas (10 das quais também vendem cabazes) e 16 mercados de produtores biológicos, um pouco por todo o país (só 7 no Porto, 25 em Lisboa dum total de 98). Optei por passar essas referências e outras que apanhei numa folha de cálculo que disponibilizo para quem queira consultar, com os dados (nome, morada, telefones, email, site, horário, certificação), pois acho que a ignorância é a principal causa do nosso atraso neste domínio.

Existe uma outra listagem na Agrobio, a de 21 produtores, quase todos em aldeias da "província". Mas sei que há muitos mais produtores (ex: mapa de cerca de 30 projectos de permacultura ou a magnífica "Quinta dos 7 nomes" em Sintra), pessoas corajosas que precisam de ser incentivadas a prosseguir num caminho de sustentabilidade ambiental e de promoção de saúde que ultrapassa a mera contabilidade de custos. Pois quanto custa as doenças que os químicos nos provocam, o estrago que a agricultura provoca nas nossas terras, águas e ar. Veja-se os transgénicos que invadiram a nossa cadeia alimentar através dos animais que comemos e que, se trouxessem o carimbo "contém produtos transgénicos" (obrigatório nos outros alimentos), quase ninguém se atreveria a comer.
Dada a opção de há 3 dias de "Ser 100% vegetariano", é tempo de assumir o nível seguinte: o de só comer biológico, produtos locais e da época, que foi também a opção da Ema nos posts de 19/1 com respeito aos legumes, e de 8/11 para as frutas. Não faço essa distinção porque quase não como fruta (porque não me dou bem com ela mais que por ser macrobiótico) e porque acho que todos os alimentos devem obedecer a esse mesmo critério.
Mas não sou radical: acrescento sempre que possível porque há alimentos que não existem pura e simplesmente produtores ou clima em Portugal para eles, mas mesmos esses têm de ser excepção e não regra. Mas também é importante que evitemos a cultura forçada em estufas ou vinda de outros climas: por isso importa saber qual a época "normal" dos legumes, e francamente não sei em que calendário me fiar: no da Deco (43 legumes) ou no das verduras campestres (20), eles não se entendem, se calhar é melhor ir ao mercado (bio) e cheirar o que está a dar (em mais bancas), critério dum leigo total nas lides campestres.

3 comentários:

Monia disse...

A tua lista excel é fantástica! Fiquei admirada por ver que em Alverca do Ribatejo, onde trabalho, também há uma loja de produtos naturais, tenho de descobrir onde fica! Entretanto estive a pensar neste assunto. Aquelas pessoas que vendem fruta e legumes à beira da estrada e nas pequenas feiras fora dos centros urbanos não serão uma boa alternativa aos produtos biológicos importados? Muitos deles não têm dinheiro para usar em fertilizantes e pesticidas e vivem apenas do que a terra dá. Vejo pelos meus avós que sempre que nos dão limões ou batatas acrescentam: vêm da terra, não levaram com nada, são... aquela coisa de que agora toda a gente fala. :)

ema magalhães disse...

Eu tenho a sorte de ter uma mãe que faz agricultura biológica mas quando não posso visitá-la e trazer o meu cabaz tenho que recorrer ao comércio (normalmente feiras e também o mercado de matosinhos)...
Das listas que falas nenhuma está correcta (também usei a da Deco até descobrir) segundo uma amiga mais entendida nestas matérias. Pelo vistos, na internet não há nenhuma lista fidedigna. Este fim-de-semana vou consultar os livros da minha maãe e ver se é possível elaborar uma listagem. Depois digo-vos.
Também tenho usado o método de comprar na feira às "lavradeiras".
Para quem usa o sistema dos cabazes comprados, segundo também me disseram, os produtos podem ser biológicos mas não da época (podem usar estufas, por exemplo). Para quem quiser ser (ainda) mais ecológico!
Óptima listagem de pontos de venda.
Obrigada, Sérgio!

Sergio disse...

Obrigado pelos comentários, fico feliz se fui útil. Quanto aos pequenos mercados e produtores a quem tenho recorrido, infelizmente tenho tido fracas experiências, o nível de consciência ambiental é muitas vezes baixo e há muitos a vender gato por lebre.Por isso não vale a pena perguntar se não levou adubos: ou se tem (muita) confiança ou melhor assumir que a maioria das pessoas quer vender pelo máximo lucro pois quase ninguém quer fruta bichada, por isso...

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